Não sei se é orgulho ou vaidade, sempre me confundo o que é o que. As vezes, acho que o que me faz sofrer é a vaidade - uma espécie de satisfação para o outro, medo do julgamento, instinto de preservação de conteúdo, máscara, ou manutenção da paz. Não sei, só sinto essa necessidade de cortinas fechadas, de disfarce. Me sinto assim, camuflada e protegida de mostrar a mim. Aí me vem uma palavra: vulnerabilidade.Pode ser isso.
"O orgulho é a consciência (certa ou errada) do nosso próprio mérito, a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência do nosso próprio mérito para os outros. Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser — pois tal é a natureza humana — vaidoso sem ser orgulhoso. É difícil à primeira vista compreender como podemos ter consciência da evidência do nosso mérito para os outros, sem a consciência do nosso próprio mérito. Se a natureza humana fosse racional, não haveria explicação alguma. Contudo, o homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a noção de efeito precede, na evolução da mente, a noção de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é. É a vaidade em acção."
Fernando Pessoa, in "Da Literatura Européia"
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