domingo, 17 de novembro de 2013

Vem.
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes,

Sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos,
Sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca,
Contemo-nos todos os segredos do mundo,
Como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos
Que só são capazes de entender
Se escutam palavras e vêem rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que somos todos um,
Falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão: “toca”,
Se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fechemos, pois, a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.



Rumi

Texto extraído do livro “Poemas Místicos”

quarta-feira, 19 de junho de 2013

"Meu Deus... Ajuda-me a dizer a palavra da verdade na cara dos fortes e a nao mentir para obter o aplauso dos débeis. Se me dás dinheiro, nao tomes a minha felicidade, e se me dás forças, nao tires o meu raciocinio. Se me dás exito, nao me tires a humildade; se me dás humildade, nao tires a minha dignidade. Ajuda-me a conhecer a outra face da realidade, e nao me deixes acusar os meus adversários, apodando-os de traidores, porque nao partilham meu criterio. Ensina-me a amar os outros como amo a mim mesmo e a julgar-me como o faço com os outros. Não me deixes embriagar com o exito, quando o consigo, nem a desesperar, se fracasso. Sobretudo, faz-me sempre recordar que o fracasso é a prova que antecede o êxito. Ensina-me que a tolerancia é o mais alto grau da força e que desejo de vingança é a primeira manifestação da debilidade. Se me despojas do dinheiro, deixe-me a esperança, e se me despojas do êxito, deixe-me a força de vontade para poder vencer o fracasso. Se me despojas do dom da saúde deixa-me a graça da fé. Se causo dano a alguem, da-me a força da desculpa, e se alguem me causa dano, da-me a força d perdao e da clemencia. Meu Deus... se me esquecer de Ti... Tu nao Te esqueças de mim!" (Gandhi)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

"... e João desamou a Maria, como desamara a tantas coisas. Mas atentai, severamente, para estas palavras, examinai cada um com o sentido do cosmos; João, sem outro caminho, desamou Maria. Precisamente, isto foi tudo o que aconteceu. E as margaridas se coroaram com suas engrenagens brancas ou amarelas, surgiram botões e prolongamentos audaciosos; os mares, com suas marés, fizeram e desfizeram o ciclo, os pássaros migraram, se é que disso precisaram segundo suas obedecências biológicas, e o universo não ruiu, como era de se esperar; não ruiu, como era de se exigir; não ruiu, como era de se ruir; ou melhor, ruiu - exatamente isso: ruiu. E Deus, com medo de se acabar, fez depressamente outro universo exatamente igual, com margaridas, mares e pássaros! Mas sabei, por amor à verdade e amor ao amor, que este universo, o novo, o exatamente igual, era outro universo;que precisamente era outro, igual, certamente, mas outro; cópia, pois bem, mas cópia; um universo tão fabulosamente igual ao primeiro que ninguém percebeu, exceto Maria, que era outro, onde ela teria o direito e a liberdade de cultivar uma absurda saudade de algo que existiu e que, não existindo, existe mais profundamente porque resta a flor, o mar, o pássaro como testemunhas do que se criaria pelo amor que um dia João teve a Maria" Humberto Haydt
Já amei muito.
Só que não era amor
Era um muito que se tem fome de amor.
Desses que a gente se perde.
E que é essa fome senão a lembrança de algo perdido?
Encontrei o amor,
Do tamanho dessa ausência
mas não um desses irreais amores comuns 
Desses que se medem
Encontrei o amor que é perfeito, único, lindo e todo atrativo.
o que não se perde.