Vem.
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes,
Sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos,
Sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca,
Contemo-nos todos os segredos do mundo,
Como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos
Que só são capazes de entender
Se escutam palavras e vêem rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que somos todos um,
Falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão: “toca”,
Se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fechemos, pois, a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.
Rumi
Texto extraído do livro “Poemas Místicos”
domingo, 17 de novembro de 2013
quarta-feira, 19 de junho de 2013
"Meu Deus...
Ajuda-me a dizer a palavra da verdade na cara dos fortes e a nao mentir para obter o aplauso dos débeis.
Se me dás dinheiro, nao tomes a minha felicidade, e se me dás forças, nao tires o meu raciocinio.
Se me dás exito, nao me tires a humildade; se me dás humildade, nao tires a minha dignidade.
Ajuda-me a conhecer a outra face da realidade, e nao me deixes acusar os meus adversários, apodando-os de traidores, porque nao partilham meu criterio.
Ensina-me a amar os outros como amo a mim mesmo e a julgar-me como o faço com os outros.
Não me deixes embriagar com o exito, quando o consigo, nem a desesperar, se fracasso.
Sobretudo, faz-me sempre recordar que o fracasso é a prova que antecede o êxito.
Ensina-me que a tolerancia é o mais alto grau da força e que desejo de vingança é a primeira manifestação da debilidade.
Se me despojas do dinheiro, deixe-me a esperança, e se me despojas do êxito, deixe-me a força de vontade para poder vencer o fracasso.
Se me despojas do dom da saúde deixa-me a graça da fé. Se causo dano a alguem, da-me a força da desculpa, e se alguem me causa dano, da-me a força d perdao e da clemencia.
Meu Deus...
se me esquecer de Ti...
Tu nao Te esqueças de mim!" (Gandhi)
quinta-feira, 9 de maio de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
"... e João desamou a Maria, como desamara a tantas coisas.
Mas atentai, severamente, para estas palavras,
examinai cada um com o sentido do cosmos;
João, sem outro caminho, desamou Maria.
Precisamente, isto foi tudo o que aconteceu.
E as margaridas se coroaram com suas engrenagens brancas ou amarelas,
surgiram botões e prolongamentos audaciosos;
os mares, com suas marés, fizeram e desfizeram o ciclo,
os pássaros migraram, se é que disso precisaram
segundo suas obedecências biológicas,
e o universo não ruiu, como era de se esperar;
não ruiu, como era de se exigir;
não ruiu, como era de se ruir;
ou melhor, ruiu - exatamente isso: ruiu.
E Deus, com medo de se acabar,
fez depressamente outro universo exatamente igual,
com margaridas, mares e pássaros!
Mas sabei, por amor à verdade e amor ao amor,
que este universo, o novo, o exatamente igual,
era outro universo;que precisamente era outro,
igual, certamente, mas outro;
cópia, pois bem, mas cópia;
um universo tão fabulosamente igual ao primeiro
que ninguém percebeu, exceto Maria,
que era outro, onde ela teria o direito e a liberdade
de cultivar uma absurda saudade de algo que existiu
e que, não existindo, existe mais profundamente
porque resta a flor, o mar, o pássaro
como testemunhas do que se criaria pelo amor
que um dia João teve a Maria"
Humberto Haydt
Já amei muito.
Só que não era amor
Era um muito que se tem fome de amor.
Desses que a gente se perde.
E que é essa fome senão a lembrança de algo perdido?
Encontrei o amor,
Do tamanho dessa ausência
mas não um desses irreais amores comuns
Desses que se medem
Encontrei o amor que é perfeito, único, lindo e todo atrativo.
o que não se perde.
Só que não era amor
Era um muito que se tem fome de amor.
Desses que a gente se perde.
E que é essa fome senão a lembrança de algo perdido?
Encontrei o amor,
Do tamanho dessa ausência
mas não um desses irreais amores comuns
Desses que se medem
Encontrei o amor que é perfeito, único, lindo e todo atrativo.
o que não se perde.
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