terça-feira, 26 de agosto de 2014

Textos que adoro

Tomara que os olhos de inverno das circunstâncias mais doídas não sejam capazes de encobrir por muito tempo os nossos olhos de sol. Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu.
Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem de sentir confiança. Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente. Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
Tomara.
Ana Jácomo

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Poesia

" Distraído ? "

   
Levo sempre esse ar de quem vai conversando
com alguém...

Entretanto
sigo sozinho
e não vejo ninguém...
...................................................................................

Tão fácil o mistério:
tu me acompanhas por toda parte,
mas eu apenas sei disto...

( Poema de J.G. de Araujo Jorge
do livro "ESPERA..."- 1960 )

quinta-feira, 20 de março de 2014

“Desde a idade de 6 anos eu tinha mania de desenhar a forma dos objetos. Por volta dos 50 havia publicado uma infinidade de desenhos, mas tudo o que produzi antes dos 60 não deve ser levado em conta. Aos 73 compreendi mais ou menos a estrutura da verdadeira natureza, as plantas, as árvores, os pássaros, os peixes e os insetos. Em conseqüência, aos 80 terei feito ainda mais progresso. Aos noventa penetrarei no mistério das coisas; aos 100, terei decididamente chegado a um grau de maravilhamento – e quando eu tiver 110 anos, para mim, seja um ponto ou uma linha, tudo será vivo.”
 
Katsushika Hokusai, artista japonês, século XVIII e XIX




quarta-feira, 5 de março de 2014

Faze o mesmo!

“Recolhe-te em ti mesmo e observa. E se achas que ainda não és belo, faze o
que faz o criador de uma estátua que deve ser bela. Ele corta aqui e ali, alisa acolá,
torna uma linha mais leve, uma outra mais pura, até que
na estátua surge um belo
rosto. Faze o mesmo: corta o excesso, endireita o que está torto, leva luz ao que está
sombrio, trabalha para fazer com que tudo resplandeça em beleza, e não cesses de
cinzelar a tua estátua até que ela desprenda sobre ti o divino
esplendor da virtude,
até que vejas a bondade final estabelecida com firmeza no santuário sem mácula.”
 
- Plotino (205 D.C.Licopólis, Egito-270 D.C.